DIP (doença inflamatória da Pelve)

DIP (doença inflamatória da Pelve)

 Que é DIP?

 

DIP, ou doença inflamatória da pelve, designa estado crônico de inflamação nos órgãos do aparelho reprodutor, associado a processos infecciosos (germes), que se podem estender a estruturas vizinhas, como bexiga e canais urinários. Costuma aparecer como uma série de perturbações genitais, com freqüentes agudizações e manifestações variáveis.

 

Causas

 

Um verdadeiro “zoológico” de germes patogênicos, que se aproveitam de instabilidades imunitárias, desencadeiam­ infecções em cascata, determinando sérios comprometimentos. Os micro­organismos mais freqüentemente associados à DIP são: o gonococo (que provoca a gonorréia) e o Chlamydia trachomatis. Mas é extremamente difícil estabelecer a causa microbiana exata.

Traumas uterinos provocados por cirurgias, curetagens, interrupção da gravidez, DIU (dispositivo intra-uterino, contraceptivo) e histerosalpingografia (radiografia do útero após injeção de uma substância radiopaca), podem ser causa de DIP.

 

Gravidez de alto risco

 

A DIP, doença inflamatória da pelve, pode deixar cicatrizes em várias partes do aparelho genital, inclusive nas trompas. Tais cicatrizes podem impedir que o óvulo fecundado desça ao útero. O óvulo implanta-se, então, fora de lugar, o que ocasiona gravidez de alto risco. Milhares de casos de gravidez fora do útero atualmente têm sido ligados à DIP. Se este é seu caso (se você tem ou já teve DIP e pensa em engravidar), avise o médico. Todo cuidado é pouco. As infecções de trompa, que acontecem na DIP (salpingites), podem produzir até infertilidade.

 

Como a Medicina natural interpreta esse problema?

 

Como nas demais infecções, o grande vilão não é o microorganismo, mas a própria ineficiência das defesas. Um organismo fraco, somado a um sistema reprodutor suscetível, “bombardeado” por constantes infecções, é o caminho aberto para acometimentos mais sérios.

A promiscuidade sexual expõe o sistema reprodutor a um número sem conta de germes causadores de doenças. O resultado óbvio é a desesta­bili­zação da flora local o que, agravado pela queda global de resistência, sela o passaporte para a DIP.

 

Estilo de vida da mulher moderna

 

A mulher moderna adota estilo de vida muito insalubre, que representa agressão cada vez maior à sua estrutura naturalmente mais frágil. Para começar, sua alimentação é de péssima qualidade. Com a participação cada vez mais ativa no mercado de trabalho, os hábitos dietéticos femininos não diferem muito dos do homem: irregularidade, pressa, “lanches ligeiros” etc.

O hábito de fumar e a vida sedentária são hoje, lamentavelmente, uma constante entre as mulheres. Outrossim, distúrbios emocionais, que vão da ansie­dade à depressão, incidem com freqüência preocupante entre elas. A “fuga” habitual das instabilidades emocionais é o consumo desregrado de doces, chocolates, massas etc., ou o uso de perigosos ansiolíticos e antidepres­sivos. Obesidade e profundos desequilíbrios orgânicos e psíquicos são o elevado tributo pago pelas mulheres a esse modus vivendi. As defesas do organismo se enfraquecem, e as doenças sexuais atacam sem piedade.

 

Geoterapia

 

Fora do período menstrual, indicam-se cataplasmas pélvico-abdominais de argila (duas a três horas de aplicação). O uso dessa cataplasma no período menstrual é indicação controvertida, pelo que achamos prudente evitar.

 

Hidroterapia

 

Compressas locais com bolsas de água quente ajudam a aliviar dores. Indicam-se também banhos quentes de assento (água entre 40 e 46°C, durante uns cinco minutos). Verificar a possibilidade de tomar uma sauna por semana.

Massagens semanais relaxam e diminuem a tensão pré-menstrual. 

Uma aeromoça de 27 anos queixou-se à sua ginecologista de corrimento vaginal. O diagnóstico foi de infecção por fungos. O tratamento, à base de supositórios, não impediu o agravamento do quadro. Dali a poucos dias, com febre alta e dores abdominais muito fortes, ela procurava a emergência de um hospital, onde se diagnosticou infecção da pelve. Mais tarde, os médicos concluíram tratar-se da doença inflamatória da pelve (DIP), para a qual se prescreveram antibióticos fortes. Provocada por infecções genitais constantes, que não são devidamente tratadas, a DIP pode confundir os médicos, pelo menos por algum tempo.

Depois de alguns anos, a aeromoça, que se considerava curada, engravidou. Mas teve problemas. Acabou perdendo a criança no começo da gestação, por causa de uma gravidez ectópica (fora de lugar). Por pouco não perdeu a vida.

 

Alimentação

Existe relação entre a dieta e os distúrbios do aparelho reprodutor? Inúmeros estudiosos da Medicina natural enfatizam essa relação. Falam na homeostasia química e hormonal, diretamente afetada pela dieta, e responsável pela estabilidade funcional dos órgãos reprodutores.

Para começar, o consumo exagerado de alimentos não-nutritivos (que chamamos pseudo-alimentos, ou falsos alimentos), doces, gordurosos e salgados, desestabiliza a química do organismo e diminui a energia vital. Fazem com que você se sinta indisposta, empanturrada, inchada. É consenso entre os naturopatas que a simples eliminação desses “ entulhos” dietéticos proporcionará a você maior sensação de bem-estar geral, prevenindo cólicas e afecções do sistema genital, como a DIP.

O uso liberal de embutidos, carnes, aves e ovos de granja envolve risco muito comentado, que é o da possível contaminação por aditivos conservantes e hormônios sintéticos, como o dietil-estil-bestrol, usado indiscri­minadamente na engorda dos animais. Esse hormônio traz conseqüências funestas para a saúde, pois age sobre o delicado equilíbrio endócrino.

Consuma mais frutas e vegetais frescos, bem higienizados. Ao se aproximar a menstruação, sugerem-se refeições exclusivas de melão (não misturá-lo com nada).

A cafeína, presente no café, guaraná, chocolate e certos refrigerantes, contribui para aumentar o desconforto no período menstrual, pois pode deixar a mulher mais nervosa. Também são contra-indicados o álcool, as conservas salgadas e as frituras.

 

Vitaminas e minerais*

* Os suplementos nutricionais são úteis em muitos casos, mas a indicação e a dosagem individual devem ser estabelecidas por um profissional especializado.

 

A dieta moderna, cheia de alimentos inadequados, cria congestionamento orgânico e dificulta o acesso de nutrientes a setores de atividade crítica, como glândulas (entre as glândulas, os ovários). O resultado óbvio é am­pla desestabilização de funções. O delicadíssimo feed-back de reações neuro-hormonais, químicas e biológicas do sistema genital, sai dos eixos. Por isso, além da mudança na dieta, é preciso complementar a alimentação com vitaminas e minerais. Destacam-se a vitamina B6 (piridoxina), o cálcio, o potássio e o magnésio. Estudiosos sugerem de nove a doze comprimidos diários de 500mg de lêvedo de cerveja, a que se acrescentam suplementações de 400mg de cálcio, 250mg de magnésio e 30mg de vitamina B6 diários, uns quinze dias antes da menstruação. No primeiro mês de tratamento, sugere-se o uso ininterrupto dessas suplementações. Esses procedimentos, é claro, devem ser submetidos ao crivo médico, para individualização da dosagem.

O uso de vitamina B6 demonstrou-se particularmente benéfico em casos de inchação no período pré-menstrual, segundo pesquisas realizadas pelo Dr. John M. Ellis, de Mt. Pleasant, Texas, e relatadas no seu livro Vitamin B6: The doctor’s report. Estudiosos sugerem que o uso de 50 a 100mg diários de vitamina B6 no período pré-menstrual diminui notavelmente a tensão e a possibilidade de edema. Há também evidências de que esse procedimento diminui a incidência de acne pré-menstrual em adolescentes. A explicação para resultados tão favoráveis com o uso de altas doses de vitamina B6 é que a menstruação levaria a grande perda desse nutriente.

Pesquisas do Dr. Fredericks, da Universidade Fairligh Dickinson (New Jersey), com duzentas mulheres, mostraram que o consumo regular de levedura de cerveja ligado ao adequado suprimento das necessidades férricas e protéicas, diminui consideravelmente a incidência de distúrbios genitais e menstruais. Diminuiu também a ocorrência de cistos nos seios.

Em clínicas naturistas a desintoxicação, acompanhada de correta complementação nutricional, faz verdadeiros milagres no sentido de corrigir distúrbios femininos. Em seguida, damos as diretrizes do tratamento natural para a maioria dos problemas genitais femininos.

 

Dieta terapêutica natural

* Os suplementos nutricionais são úteis em muitos casos, mas a indicação e a dosagem individual devem ser estabelecidas por um profissional especializado.

 

Começar com desintoxicação branda:

De três a sete dias com a seguinte dieta:

Desjejum — Um dia só com o uso de melão; outro dia, laranjas (comer a parte branca da casca, rica em bioflavonóides, que previnem hemorragias menstruais), outro dia só bebida alcalinizante (ver modo de preparar à página 138).

Intervalo — Água-de-coco.

Almoço — Salada de brotos com grão-de-bico e folhosos. Se quiser, utilize tomatinhos (daqueles pequenos, menos sujeitos ao tratamento com agrotóxicos). Abóbora ou batata cozidas, legumes (o brócolis é especialmente indicado), tofu e arroz integral. Quando usar batata, não utilizar arroz. A partir do terceiro dia de dieta, acrescentar seis amêndoas doces.

Intervalo — Água de coco.

Jantar — Frutas, como maçã, mamão, pêra, pêssego ou ameixa, picadas com nozes e coalhada magra.

Depois desse período, ir alternando um dia de dieta normal naturista, outro dia de dieta de desintoxicação. Nos dias de dieta normal naturista, acrescentar três cápsulas de óleo de germe de trigo e doze comprimidos diários de levedura de cerveja. Nos dias de dieta de desintoxicação, usar suplemento* de cálcio (400mg), magnésio (250mg) e vitamina B6 (30mg), conforme critério médico. Se há anemia, acrescentar ferro (25mg), vitamina B12 (12mcg) e ácido fólico (400mcg) na suplementação, que pode ser preparada em farmácias de manipulação, com receita. O uso de dolomita (que contém sais de cálcio e magnésio) pode substituir o uso de suplementos desses minerais.

 

Plantas e outros recursos naturais

A cavalinha, associada à camomila e erva-cidreira (capim-limão), é muito útil no combate ao mal-estar pré-menstrual, pois ajuda a desinchar e relaxar. Duas ou três xícaras diárias. Uma colher, das de sopa, das plantas picadas para 300ml de água. Ferver e filtrar.

Ao se aproximar a menstruação, alguns terapeutas recomendam o uso do óleo de copaíba (uma cápsula duas vezes ao dia) e chá de agoniada com própolis. Os intestinos devem ser mantidos desimpedidos, para o que é muito indicado o chá de cáscara-sagrada, uma ou duas vezes ao dia (há também cáscara-sagrada em cápsulas), no caso de prisão de ventre. Uma colher, das de sopa, das plantas picadas para 300ml de água. Ferver e filtrar.

Há um composto à base de óleo de prímula, indicado no tratamento de várias disfunções do sistema reprodutor feminino: este produto é encontrado em lojas de produtos naturais, e a dosagem tradicional vem impressa no rótulo.

O dong quai é uma planta chinesa usada há séculos no tratamento de perturbações femininas. Contudo, é difícil de encontrar no mercado. Disponível em algumas empresas importadoras, vem sob a forma de composto, em cápsulas. A dose varia. Geralmente, indicam-se de três a seis cápsulas diárias, divididas ao longo do dia, juntamente com as refeições. Consultar informações do rótulo.

Para o tratamento de infecções vaginais, indicam-se tradicionalmente duchas locais com o decocto concentrado de jequitibá com barbatimão. As irrigações vaginais são contra-indicadas para mulheres virgens, que devem limitar-se ao banho quente de assento com as mesmas ervas. Muitas duchas também são contra-indicadas.

As ervas usadas em irrigações ou banhos de assento podem variar. São também muito úteis as seguintes ervas: cavalinha, salsa e folhas de nogueira, misturadas.

Em todos os casos recomenda-se consultar um ginecologista e observar-lhe a orientação.

 

 


Programa Saúde Total

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